Para governos · Dados e IA em saúde

O Brasil pode liderar a saúde digital. O caminho começa pelos dados.

Os Estados Unidos padronizaram como os sistemas trocam um conjunto mínimo de dados. O Brasil tem a chance de ir além: registrar cada observação clínica de forma estruturada, com a regra de onde ela veio, e formar a base de dados que a inteligência artificial em saúde precisa.

Fale com a nossa equipe Veja os protocolos no prontuário

Por que o Brasil, e por que agora

Um sistema público para mais de 200 milhões de pessoas

O SUS é o maior sistema público universal de saúde do mundo, com atenção básica, especialidades, hospitais, vacinas e vigilância sob as mesmas regras nacionais.

FHIR para trocar, um padrão brasileiro para registrar

A RNDS já adota o padrão aberto HL7 FHIR para a troca de dados, com perfis definidos pelo Brasil. O que ainda falta é um padrão brasileiro para o conteúdo clínico: o que cada atendimento registra. Nos Estados Unidos, essa decisão é do governo americano, pelo USCDI. O Brasil pode definir o seu, com os protocolos do SUS e mais profundidade.

Há recursos e uma estratégia

O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial prevê até R$ 23 bilhões até 2028, com ações para o SUS. O que falta é dado clínico estruturado e confiável para que esses projetos funcionem fora do laboratório.

O que os Estados Unidos construíram

Desde a lei 21st Century Cures, de 2016, os Estados Unidos obrigam os sistemas de prontuário certificados a abrir os dados por uma API padronizada. O resultado é a maior experiência de troca de dados de saúde do mundo, e ela ensina muito.

Critério (g)(10) da ONC

Para ser certificado, um prontuário precisa oferecer uma API FHIR R4 com o perfil US Core, login de aplicativos pelo SMART on FHIR e exportação em massa de dados de grupos de pacientes.

USCDI: o conjunto mínimo

O USCDI define quais classes de dados a API precisa expor, como alergias, problemas, medicamentos, sinais vitais e resultados de exames. A versão 3 passou a valer em 1º de janeiro de 2026.

Inferno e CHPL

O Inferno é a ferramenta oficial de teste da API. Os produtos aprovados entram na lista pública de sistemas certificados (CHPL), que hospitais e governos consultam antes de comprar.

TEFCA: a rede nacional

Uma rede de redes conecta os sistemas certificados. Em 2026, o governo americano informou mais de 1 bilhão de registros de saúde trocados por ela.

A lição: os Estados Unidos decidiram o que é registrado no país inteiro, e essa decisão ficou no conjunto mínimo. O Brasil deve decidir o seu, e pode decidir com mais profundidade: quais perguntas o médico responde, por que, e com que regra.

O mínimo para trocar dados, e o registro completo para cuidar

A AENTE entrega os dados no formato FHIR, como pede o padrão. A diferença está no que existe antes da troca: como cada dado nasce dentro do atendimento.

Tema Padrão (g)(10) e USCDI AENTE
Formato da troca API FHIR R4, US Core, SMART on FHIR e exportação em massa. API FHIR R4 certificada no programa da ONC pela Drummond Group, e documentos do CMD gerados nos perfis brasileiros da RNDS.
Modelo de gestão Fora do padrão: cada sistema organiza unidades, profissionais e pacientes do seu jeito. Uma conta por organização, unidades criadas pelo CNES, uma identidade para cada paciente e profissional em qualquer unidade, e regras que seguem a unidade e o país. Tecnologia com patente depositada.
Profundidade Um conjunto mínimo de classes de dados, igual para todos. Cada pergunta do prontuário é um item estruturado, com tipo de resposta e opções definidos, para cada procedimento.
Origem da pergunta Não faz parte do padrão. Cada pergunta indica a norma, protocolo ou diretriz de onde vem, e os médicos revisam o formulário antes de ele entrar em uso.
Contexto do atendimento Depende de como cada sistema registra. O dado fica ligado ao procedimento, ao diagnóstico (CID-10), ao profissional, à unidade (CNES) e a quem paga.
Completude O padrão não exige campos clínicos além do mínimo. Perguntas obrigatórias precisam de resposta antes de o atendimento ser finalizado.
Regras nacionais Terminologias americanas. CID-10, SIGTAP, TUSS, CNES e PCDT do Ministério da Saúde já dentro do fluxo de atendimento.

Formulários que viram um dicionário nacional

No prontuário da AENTE, o registro clínico é montado com duas peças. Os itens de formulário são as perguntas e medidas, como pressão arterial, uso de anticoagulante ou escala de preparo intestinal. As categorias de formulário agrupam esses itens em abas e seções e ligam o conjunto a procedimentos e diagnósticos.

  • Cada item é criado uma vez e reutilizado em todos os formulários que precisam dele. A mesma pergunta tem o mesmo significado em qualquer unidade.
  • Cada item tem um tipo de resposta definido, como número, data, escolha única ou múltipla, e opções fechadas quando o protocolo exige.
  • As categorias são ligadas ao procedimento e ao diagnóstico. Ao registrar o CID-10, o formulário do protocolo do Ministério aparece pronto.
  • Tudo é configurado sem programar, pela equipe clínica, e as alterações ficam registradas.

Por que isso importa para a inteligência artificial

Modelos de IA em saúde dependem menos de algoritmos novos e mais de dados bem definidos. Texto livre muda de médico para médico e de hospital para hospital. Itens estruturados criam um vocabulário comum.

Um dicionário de observações

Cada item de formulário é uma variável com nome, tipo e valores possíveis. Somados em escala nacional, formam um dicionário de observações clínicas que os modelos conseguem ler sem adivinhar o que o médico quis dizer.

Observação ligada ao tratamento

Como o registro fica ligado ao diagnóstico, ao procedimento e ao que foi feito depois, é possível estudar quais condutas acompanham quais achados, e com que resultados ao longo do tempo.

Rastro da origem

Saber de qual protocolo veio cada pergunta ajuda a explicar o que um modelo aprendeu, e a corrigir quando um protocolo muda.

Dados completos desde a origem

Perguntas obrigatórias reduzem lacunas que hoje tornam boa parte dos dados de prontuário inútil para pesquisa e para treinamento.

Treinar modelos com dados de saúde exige base legal, anonimização e governança, como manda a LGPD. A proposta é que isso aconteça sob regras públicas, com dados anonimizados e com o Estado na coordenação. A AENTE não vende dados de pacientes.

O que já está construído

  • API FHIR R4 certificada no programa de certificação da ONC, nos Estados Unidos, com testes da Drummond Group: perfil US Core, SMART on FHIR, permissões detalhadas e exportação em massa.
  • Documentos do Conjunto Mínimo de Dados (CMD) gerados nos perfis FHIR da RNDS para cada atendimento finalizado. O envio à RNDS depende de credenciamento.
  • Formulários de protocolo (PCDT) que aparecem a partir do CID-10, com o Termo de Esclarecimento e Responsabilidade pronto.
  • Catálogo nacional com mais de 300 modelos de serviço, com códigos SIGTAP e TUSS, e cadastro das unidades pelo CNES.
  • Faturamento do SUS e de convênios a partir do mesmo registro clínico.
  • Tecnologia com patente depositada para gestão de saúde com fluxos configuráveis e regras por país.

Como o governo pode participar

A proposta é tratar o dicionário de formulários como infraestrutura pública, e testar o modelo em escala real antes de ampliar.

1. Piloto em uma rede estadual ou municipal

Uma secretaria usa a AENTE em um conjunto de unidades, com metas de completude dos registros e de geração do CMD definidas antes do início.

2. Um padrão brasileiro de conteúdo clínico

Ministério, sociedades médicas e universidades revisam os itens de formulário dos protocolos prioritários. O resultado é um padrão brasileiro de conteúdo clínico, construído a partir do modelo da AENTE e aberto para qualquer sistema.

3. Dados para a IA do SUS

Os dados anonimizados do piloto alimentam projetos de IA do próprio SUS, dentro das regras da LGPD e da governança definida pelo governo.

O conteúdo dos protocolos públicos fica aberto como bem público. A plataforma que transforma esse conteúdo em atendimento, faturamento e dado estruturado é da AENTE, e os dados sempre saem no padrão FHIR da RNDS, sem dependência de fornecedor. Para o piloto, os instrumentos previstos em lei para soluções inovadoras são o Contrato Público para Solução Inovadora (Lei Complementar 182/2021) e a encomenda tecnológica (Lei 10.973/2004), além de chamadas de fomento ligadas ao Plano Brasileiro de Inteligência Artificial. A escolha cabe a cada órgão.

Perguntas frequentes

A AENTE substitui o e-SUS ou a RNDS?

Não. A AENTE gera os documentos no padrão da RNDS e alimenta a rede nacional. O objetivo é que mais dados de qualidade cheguem ao Ministério, não criar um sistema paralelo.

A AENTE é certificada nos Estados Unidos? E na RNDS?

Sim, nos Estados Unidos: a API FHIR da AENTE recebeu a certificação do programa da ONC, com testes realizados pela Drummond Group. Na RNDS, a AENTE já gera os documentos do CMD nos perfis oficiais, e o envio depende do credenciamento e do certificado digital da empresa, etapas que fazem parte do piloto.

Quem é dono do dicionário de formulários?

A proposta é que os itens dos protocolos públicos sejam um bem público, revisado pelo Ministério e por especialistas e disponível para qualquer sistema.

A AENTE treina IA com dados de pacientes?

Não. Qualquer uso de dados para treinar modelos deve seguir a LGPD, com anonimização e com regras definidas pelo poder público.

Os dados ficam onde?

Em servidores da AENTE, com acesso por perfil e registro de auditoria das alterações. Num piloto público, o local de hospedagem é definido com o órgão.

Vamos construir esse padrão juntos.

Apresentamos a plataforma para a sua equipe técnica, com os formulários de protocolo, a API FHIR e os documentos do CMD funcionando, e desenhamos um piloto com metas claras.